Arquitetura, Uncategorized
Existem ambientes onde as dúvidas surgem imediatamente, seja pelo excesso de informação, seja pela dificuldade de leitura do espaço.
Por exemplo: “Será que é por aqui?” “Qual elevador eu posso usar?” “Onde fica o banheiro?”
O curioso é que isso nem sempre está ligado à falta de placas. Ou seja, muitos ambientes estão repletos de sinalização e, ainda assim, continuam difíceis de entender.
Nesse contexto, entra o tema de hoje! Como o wayfinding contribui para garantir a melhor experiência do usuário em um lugar.
De onde surgiu o termo?
O conceito de wayfinding começou a ganhar força em 1960, quando o urbanista Kevin Lynch utilizou o termo “way-finding” no livro The Image of the City. Na obra, Lynch estudava como as pessoas criavam mapas mentais das cidades a partir de elementos como caminhos, limites, bairros, marcos e pontos nodais.
A partir dessa análise, a pergunta central era simples: “por que alguns lugares parecem intuitivos enquanto outros causam confusão?”
Posteriormente, o pesquisador Romedi Passini aprofundou o tema ao relacionar o wayfinding diretamente à arquitetura e à experiência espacial. Em 1992, junto de Paul Arthur, publicou o livro Wayfinding: People, Signs and Architecture, considerado até hoje uma das principais referências sobre o assunto.
Dessa forma, o conceito passou a integrar áreas como arquitetura, urbanismo, design gráfico, branding, psicologia ambiental e experiência do usuário.
O espaço comunica antes mesmo da sinalização
Na prática, hoje em dia sabemos que antes de procurar uma seta, o cérebro já interpreta largura de circulação, incidência de luz, pontos focais, entradas, aberturas, texturas e direção de fluxo.
Dessa forma, toda a relação entre arquitetura e comportamento influencia diretamente a forma como as pessoas se orientam.
Por isso, ambientes bem resolvidos espacialmente começam a ser organizados desde a implantação.
O projeto Sicredi
Como no caso do projeto CO STUDIO desenvolvido para a Sicredi.
Nesse contexto, o wayfinding foi incorporado desde as primeiras definições espaciais, organizando a experiência de circulação dentro de um programa corporativo com múltiplos acessos, diferentes setores de atendimento e fluxos simultâneos de colaboradores e visitantes.
Para isso, a estratégia partiu da leitura dos percursos mais utilizados no dia a dia. Ambientes de recepção, espera, circulação vertical e áreas de permanência foram pensados para criar sequências espaciais mais claras, reduzindo rupturas na navegação e diminuindo a dependência de instruções constantes.
Além disso, a hierarquia das informações também foi trabalhada em diferentes escalas. Desde elementos arquitetônicos que ajudam na leitura do espaço até a aplicação da comunicação visual nos pontos de decisão, cada camada foi organizada para orientar o usuário sem gerar excesso de estímulos visuais.
Da mesma forma, a materialidade teve papel importante nesse processo. Mudanças sutis de textura, iluminação e acabamento ajudaram a identificar setores e delimitar usos dentro do edifício, criando referências perceptíveis ao longo da circulação.
Assim como, outro ponto importante foi a integração entre sinalização e identidade institucional. Sob essa perspectiva, o sistema gráfico foi desenvolvido para dialogar com a linguagem arquitetônica da sede, mantendo coerência visual entre marca, espaço e experiência de uso.
Algumas perguntas para entender se o projeto está no caminho certo
Hoje convivemos com programas híbridos, grandes fluxos, experiências físicas e digitais integradas e ambientes que precisam funcionar para públicos diversos, como o projeto da SICREDI.
Ao mesmo tempo, as pessoas estão mais cansadas visualmente e menos dispostas a gastar energia tentando interpretar lugares confusos.
Por isso é tão importante entender se o projeto está realmente contribuindo para a experiência do usuário. Pensando em te ajudar durante este processo, separamos algumas perguntas!
Acessibilidade
- As informações estão distribuídas em diferentes formatos de leitura?
- Os pontos de decisão possuem comunicação clara e visível?
- Pessoas com baixa visão ou cegas conseguem se guiar pelo espaço?
Autonomia
- O percurso transmite segurança durante o deslocamento?
- Uma pessoa consegue compreender os percursos sem depender de ajuda constante?
Orientação
- Existe hierarquia clara entre fluxos públicos, internos e técnicos?
- As mudanças de setor são perceptíveis durante o percurso?
Percepção de marca
- Existe coerência entre arquitetura, interiores e comunicação visual?
- O ambiente transmite a identidade institucional de forma consistente?
Conforto espacial
- A iluminação contribui para a leitura dos espaços?
- O ambiente reduz sensação de sobrecarga e desorientação?
Eficiência operacional
- Os fluxos funcionam bem em horários de maior movimento?
- Visitantes e colaboradores conseguem acessar setores sem conflitos?
Permanência no ambiente
- O espaço convida as pessoas a permanecerem nele?
- A navegação influencia positivamente a relação das pessoas com o lugar?
A partir dessas reflexões, vale olhar com honestidade para o seu empreendimentoe questionar cada ponto! Temos certeza que os usuários terão uma experiência ainda melhor depois disso.
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