Arquitetura
Existe arquitetura que não é autoral?
A primeira vista parece uma pergunta bem simples, mas que revela uma contradição pouco discutida dentro do mercado.
A expressão “arquitetura autoral” surge com frequência em campanhas de marketing, books de venda e anúncios de incorporadoras, quase sempre associada a projetos considerados especiais ou assinados por nomes reconhecidos.
No entanto, ao tratar a autoria como diferencial, acaba-se sugerindo, ainda que indiretamente, que existem projetos que não são autorais.
Todo projeto, porém, seja ele bom ou ruim, original ou não, é resultado de decisões.
Independentemente de sua escala ou linguagem, sempre há alguém interpretando condicionantes, organizando o espaço e assumindo responsabilidade técnica.
Mesmo um empreendimento baseado em tipologia repetida envolve escolhas sobre implantação no terreno, leitura da legislação, adequação ao orçamento, definição de fluxos, fachada e volumetria. Nada disso se resolve sozinho.
Alguém precisa estudar o contexto e definir caminhos, e essa tarefa, por si só, já é de um ou mais autores. É isso que discutiremos no blog de hoje! Leia abaixo:
A associação entre autoria e prestígio
De modo geral, a autoria de um projeto de arquitetura e urbanismo está ligada à responsabilidade pelas decisões que moldam o espaço. Ela não é sinônimo de qualidade ou de estilo.
A associação entre autoria e prestígio acaba criando uma leitura equivocada, como se apenas determinadas obras merecessem esse reconhecimento.
Uma arquitetura admirável é autoral. Uma arquitetura questionável também é. Em ambos os casos houve intenção e assinatura técnica.
O debate gira em torno de como o mercado reconhece ou omite essa autoria.
Toda arquitetura tem autor
Quando o mercado utiliza o termo apenas para valorizar determinados empreendimentos, reforça a ideia de que haveria projetos neutros ou impessoais, e isso não corresponde à realidade da prática da profissão.
Toda arquitetura é autoral. O que varia é o grau de visibilidade que se decide conceder a quem a concebeu.
Quando o projeto passa a ser tratado apenas como produto, a arquitetura deixa de ser estratégica, humana e artisticamente relevante, fazendo com que o arquiteto vire um mero executor técnico.
Mesmo em condomínios residenciais que replicam uma planta padrão sem considerar a orientação solar específica do terreno ou um projeto logístico que ignora fluxos reais de operação para seguir um modelo já aplicado anteriormente, que pode ter funcionado em um contexto, mas em outro não, ou até mesmo em um projeto onde não há uma identidade marcante/assinatura estética, é inegável, há autoria, existe um autor, aliás na grande maioria das vezes o projeto é realizado por vários autores, mesmo que às vezes apenas um deles assine como responsável técnico oficial.
“Todos somos autores do que fazemos, serve para qualquer arte ou ofício.” – Lucas Passold, Co-fundador e Diretor Criativo do CO STUDIO.
Então, no fim, a pergunta que deveria ser feita não é se a arquitetura é autoral, porque ela sempre é, mas sim: por que, em alguns contextos, ela não é creditada? E como podemos garantir que ela seja?
O reconhecimento da autoria no mercado
É necessário que o mercado compreenda essa dimensão, pois todo projeto de arquitetura e urbanismo, independentemente de sua escala, envolve complexidade técnica, responsabilidade e tomada de decisões que impactam diretamente o espaço construído. Reconhecer a autoria é, portanto, reconhecer esse processo e valorizar a profissão do arquiteto e urbanista em sua essência.
Seja sempre indicando os autores nas fichas técnicas dos projetos (veja alguns exemplos de como fazemos no CO STUDIO!), seja destacando os responsáveis em materiais institucionais, de divulgação etc.
Nossa preocupação geral com este tema diz muito sobre o tipo de cidade e de mercado que estamos construindo. Basta pensar nos desafios da área, sejam eles sobre a rotina intensa de trabalho ou em última escala, sobre a paisagem da cidade que se repete com pouca conexão ao contexto.
Parece uma frase simples mas que por trás, expressa como o profissional é visto e valorizado.
👉E você, quando olha para um projeto, vê só o resultado final ou percebe que sempre existem várias pessoas por trás das decisões que deram forma a ele?
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